Boas práticas de manejo para maximização da eficiência produtiva da soja
Publicado em: 08/03/2019
Texto por: Prof. Dr. André Luis Vian e Dra. Franciane Lemes dos Santos

Para se alcançar elevadas produtividades algumas práticas de manejo simples são fundamentais e extremamente importantes. Para construir essa elevada produção busca-se a eficiência no uso da água pelas plantas, um solo com adequado perfil para a exploração das raízes, adubação, redução da competição entre plantas em função da correta distribuição das mesmas na área (interespecífica) e competição com plantas daninhas (intraespecífica). Além disso, a semeadura no momento adequado que proporciona às plantas a máxima interceptação da radiação solar, e a inoculação que é uma das práticas mais importantes e mais marginalizadas na cultura da soja, mas que interfere diretamente no custo de produção.


Fatores de construção de altas produtividades

O arranjo de plantas é um dos fatores do manejo agrícola de importância fundamental para que se alcance rendimentos de grãos elevados. Porém, vale ressaltar que não é o único fator responsável pela obtenção de rendimentos elevados pelas culturas, existindo outros fatores e/ou manejos que tem contribuição de igual ou maior impacto, como a escolha da época de semeadura, a adubação e as condições ambientes.

Outro fator importante é a relação entre ambiente x manejo x potencial genético. Segundo Tollenaar & Lee (2002), cerca de 60% da produção de grãos está relacionada com o potencial genético da cultivar que está sendo cultivada, e os outros 40% estão relacionados com as condições ambientais e com os manejos agronômicos.

Como mencionado anteriormente, os fatores de construção da produção de grãos são sustentados por genótipo utilizado, ambiente de produção e o manejo empregado pelo agricultor (Figura 1). Quanto ao genótipo a ser utilizado o mesmo é relacionado diretamente a cultivar que será adquirida, ou seja, no caso da soja tem-se cultivares com altos potenciais produtivos, além de possuírem características de resistência a herbicidas, pragas e doenças. O que vale ressaltar neste ponto é que para a aquisição de cultivares com eventos tecnológicos, que apresentam maior potencial produtivo, está ligada à condição financeira do produtor de adquirir esses materiais para cultivo.

O segundo fator de construção de lavouras com potencial produtivo elevado é o ambiente, pois no ambiente agrícola existem inúmeros fatores que contribuem para as reduções na produção. Entre eles destaca-se a temperatura do solo e do ar, a disponibilidade hídrica e a radiação solar, a qual pode ser manejada através da época de semeadura.

O terceiro fator de construção é o manejo que será adotado durante o ciclo de crescimento e desenvolvimento da cultura. Dentre as variáveis que promovem variabilidade no rendimento de grãos neste terceiro fator, destaca-se o sistema de manejo do solo utilizado (conservacionista ou sistema plantio direto - SPD), formas e quantidade de adubação, época de semeadura das espécies, e por fim o arranjo espacial das plantas. Desta forma, ressalta-se que todos os três fatores mencionados anteriormente exercem influência direta no rendimento potencial das plantas na lavoura.


Figura 1 Fatores de construção de altas produtividades. Fonte: Adaptado de Silva, 2010.


Dentro do fator manejo o arranjo de plantas, a época de semeadura, adubação e os tratamentos fitossanitários são as formas de manipular e se ajustar ao fator ambiente, o qual compreende a disponibilidade hídrica, radiação solar e a temperatura.

O arranjo de plantas é a variável que ajuda a planta a definir seus componentes de rendimento e seu rendimento individual. A definição de arranjo espacial de plantas pode ser tratado como a interação entre densidade de plantas e o espaçamento desejado entre as ela, ou seja, por meio disso pode-se organizar espacialmente como será a disposição das plantas na área por metro quadrado (m²), sabendo-se qual é a ocupação máxima de plantas m². Essa correta distribuição das plantas na área proporciona as mesmas uma área ótima de exploração pelas raízes e da área foliar. Esse ajuste é definido a partir de três parâmetros definidos como 3 D's (Figura 2).



Figura 2 Orientação dos 3D's para definição do arranjo de plantas, sendo composta por Distribuição de plantas na linha, Distribuição de linhas na lavoura e Densidade de plantas desejada.



Os 3 D's quando bem manejados tende a potencializar o rendimento de grãos por meio do aumento da taxa fotossintética, maximizando a interceptação da radiação solar. Sangoi e Silva (2010), afirmam que o rendimento de grãos é afetado pela respiração da planta (provoca reduções) e pela fotossíntese (provoca aumento no rendimento). A fotossíntese do dossel vegetativo é uma função da interceptação da radiação solar. O arranjo de plantas influencia diretamente na interceptação da radiação solar, porque tem a capacidade de alterar o índice de área foliar, o ângulo foliar, a distribuição foliar na linha e na entrelinha de semeadura e em virtude da quantidade de energia que irradia o dossel vegetativo, a qual será apenas uma parte absorvida.

Por outro lado, a densidade de plantas quando mal manejada pode alterar drasticamente a área para cada planta, e com isso a produtividade. Sabe-se que a cultura da soja tem capacidade de engalhamento para mais ou para menos, porém como demonstra a figura 3, mesmo para diferentes espaçamentos entre as linhas com o aumento da densidade de plantas por m² (de 10 para 70 plantas/m²), reduz drasticamente a área de exploração pelos recursos como água, nutrientes e luz, aumentando a competição entre plantas, alterando seus componentes de rendimento, podendo reduzir o rendimento potencial.


Figura 3 Área útil de exploração pelos recursos de água, nutrientes e luz pelas plantas em função da densidade de plantas m².


Resumidamente os efeitos da densidade de plantas nas espécies produtoras de grãos, podem ser divididos entre alta e baixa densidade. Na condição de baixa densidade de plantas há uma redução na atividade fotossintética total do dossel, devido ao reduzido número de plantas por área (m²) e também a perda da radiação solar para o solo, o que estimula a emergência de plantas daninhas e a competição com essas plantas. Há também a redução do rendimento de grãos, pois a plantas não conseguem realizar a compensação, ou seja, a plasticidade de plantas. Outro efeito decorrente da baixa densidade de plantas é a alteração na qualidade de luz (relação vermelho e vermelho extremo), desta forma proporciona um aumento da emissão de afilhos (cereais de inverno e no arroz), há uma maior formação de ramos e nós (soja e feijão), um aumento no diâmetro do colmo (todas as espécies), aumento no tamanho do grão (todas as espécies) e uma maior quantidade de grãos por inflorescência (todas as espécies). Todas essas variáveis são ocasionadas em virtude do baixo aproveitamento da radiação solar incidente sobre a mesma área. A baixa densidade de semeadura pode ser ocasionada por três motivos principais: a decisão do agricultor em utilizar uma baixa densidade; erros associados a semeadura, como excesso de velocidade, embuchamento na semeadura, profundidade de plantio acima da desejada, etc; e a utilização de material genético com pouco vigor.

Na condição de alta densidade de plantas haverá sombreamento das folhas do baixeiro, efeito esse que reduz a atividade fotossintética total do dossel, além da redução no número de grãos/inflorescência, da relação inflorescência/planta e da massa de grãos. Através da competição entre plantas causada pela alta densidade de plantas irá ocorrer o aumento da esterilidade e morte de plantas. Dessa forma, ocorre um maior custo para a implantação da lavoura. Outro efeito que ocorre é a alteração na qualidade de luz (relação vermelho/vermelho extremo), que promove um aumento na inserção da espiga (milho), uma redução na emissão de afilhos (cereais de inverno e no arroz), uma menor formação de ramos e nós (soja e feijão) e uma redução no diâmetro do colmo, o que promove uma maior taxa de acamamento das plantas, estes fatos são derivados da competição entre as plantas/m².





Texto por: Prof. Dr. André Luis Vian e Dra. Franciane Lemes dos Santos


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