Soja Safrinha: mito ou verdade?
Publicado em: 28/03/2019
Boas práticas de manejo para maximização da eficiência produtiva da soja

A opção de cultivo de soja no período da safrinha foi motivada pela boa remuneração que a mesma proporciona aos produtores rurais, e muito em função da remuneração que a cultura do milho proporciona. Porém, não é indicado e muito menos recomendado o cultivo de duas safras seguidas de soja, devido à alta probabilidade de estresses bióticos e abióticos que podem acometer a cultura. Dentre os estresses bióticos os principais que podem ser citados são: alta infestação de lagartas mastigadoras de folhas e de legumes, mosca-branca, percevejos sugadores de legumes e grãos, doenças de final de ciclo, ferrugem asiática, oídio, mancha?alvo, mofo?branco e nematóides. Já os estresses abióticos que podem ser citados são: déficit hídrico, redução dos benefícios da rotação de cultivo, e aumento do monocultivo, que inviabiliza o sistema produtivo a médio e longo prazo.

Novas tecnologias

Dentre as novas ferramentas para auxiliar o produtor rural no processo de semeadura da soja, destaca-se o uso de ferramentas de agricultura de precisão, como a taxa variada de adubação, o piloto automático e o desligamento linha a linha de semeadura, as quais conferem uma maior rapidez no processo da semeadura e uma melhor \"colocação\" da semente no sulco (Figura 5).


Figura 5 - Efeito do desligamento linha a linha no momento da semeadura, permitindo a redução ou a correta densidade populacional nas ?cabeceiras? dos talhões. Fonte: AgroEasy, 2018.


O uso da adubação à taxa variada na semeadura vem apresentando resultados vantajosos do ponto de vista econômico e prático, pois a utilização dessa prática reduz em média R$ 6,00 ha-1 o custo, e aumenta o lucro em até 7% quando comparado com a adubação à taxa fixa (Beras, 2014).

As principais vantagens na utilização do piloto automático e do desligamento linha a linha durante a semeadura da soja são: manter o paralelismo entre as linhas de semeadura; manter o espaçamento adequado para as plantas entre linha e na linha de semeadura; manter a densidade populacional nas cabeceiras em relação ao interior do talhão, reduzindo assim incidência de ferrugem, aumentando o rendimento de grãos, devido à redução da competição entre plantas; e melhorias na eficiência do plantio

A mais nova prática de manejo que vem sendo utilizada principalmente nos Estados Unidos e Argentina, mas que vem sendo implementada no Brasil aos poucos é a semeadura em taxa variada. Esta técnica consiste na semeadura de soja a taxa variada em função das zonas de manejo da lavoura. As zonas de manejo são áreas semelhantes, ou seja, pouca variabilidade espacial dos atributos químicos e físicos do solo e a partir dessa semelhança delimita-se zonas semelhantes dentro de uma mesma área. Após essa delimitação se realiza a recomendação da densidade de plantas de acordo com as características de cada zona de manejo.

Assim, busca-se ajustar a adequada densidade populacional de acordo com a capacidade de suprimento da demanda das plantas por água, luz e nutrientes. A densidade variável de plantas na área leva em consideração aspectos como a cultivar a ser utilizada, as condições de umidade do solo e a época de semeadura. Os primeiros estudos envolvendo essa tecnologia demonstraram rendimentos médios de 5 a 10 % maior em relação à taxa fixa (Drakkar, 2018). Esses rendimentos são possíveis em função da possibilidade de reduzir o número de aplicações de fungicida, reduzir a sobreposição de sementes, reduzir o pisoteio de máquinas e melhorar o espaço para que cada planta possa se desenvolver com o máximo dos recursos do ambiente de produção.


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